Quando até o Presidente da República diz que as rendas estão “pela hora da morte”, é porque o problema já deixou de ser só de quem procura casa. Passou a ser um retrato do país.

Em Leiria, no meio de uma visita a famílias afetadas pelo mau tempo, António José Seguro ouviu uma moradora falar da dificuldade em encontrar uma casa que consiga pagar. E a resposta foi simples, direta e difícil de contestar: os salários não chegam para pagar rendas exorbitantes, nem para comprar casa.
A verdade é esta: trabalhar já não chega para viver com tranquilidade. Há quem tenha emprego e continue sem conseguir arrendar. Há quem esteja a tentar recomeçar a vida e encontre um mercado onde pedir uma renda parece quase pedir um milagre.
O mais preocupante é que isto deixou de ser um problema “dos outros”. Hoje atinge jovens, famílias, pais solteiros, casais, classe média e até quem sempre fez tudo “como mandam as regras”.
A habitação não pode continuar a ser um luxo num país de salários curtos e contas longas.
E quando até Belém fala assim, talvez esteja mais do que na hora de deixar os discursos e passar às soluções.
Quantos portugueses estão a trabalhar e, mesmo assim, continuam sem conseguir pagar uma renda?