Meu filho se levantou no meio da festa de aniversário da minha neta e apontou o dedo para mim na frente de 30 pessoas. A festa de 7 anos da Isabela aconteceu num sábado de outubro num salão de festas no Itaim Bibi. Tudo era exagerado, do jeito que Renato gostava. Beijos no ar, apertos de mão com as duas mãos, risadas altas demais.

A hora do parabéns foi barulhenta e alegre do jeito que festa de criança deve ser. Foi pouco depois disso, quando os adultos estavam servindo o bolo e conversando em grupos, que Renato se posicionou no centro da sala com um copo de refrigerante erguido, como se fosse fazer um brinde. E completou a frase com o nome de Marcos como modelo do que eu nunca fui. Por isso, a mamãe foi mais feliz com ele do que foi com o senhor.
Me levantei, abracei minha neta Isabela, desejei feliz aniversário de 7 anos para ela no ouvido e saí pela porta lateral sem olhar para trás. Entrei no escritório sem acender a televisão, sem servir nada. O escritório de Patrícia Vasconcelos ficava no 17º andar de um edifício na Faria Lima. Assinou os documentos sem ler além do valor do aporte.
Qualquer alteração no vínculo com a empresa encerrava o direito de uso em 72 horas. Renato morava num flat no Itaim, exatamente no bairro que ele havia escolhido por questão de status. A renda que ele pagava era simbólica, pouco mais do que o condomínio. Mãe, esse Marcos Felipeto, o consultor de imagem que minha ex-esposa havia escolhido, tinha uma única fonte de renda regular, um contrato de consultoria de marca e comunicação com a RD Soluções de Renato, R$ 22.
000 por mês. Vivia inteiramente da generosidade involuntária do perdedor. Meu telefone ficou no carro. No domingo à noite, sentado no alpendre dos fundos do sobrado com um copo de água fresca, ouvi os grilos do jardim e pensei no que estava prestes a acontecer.
Desceu ao estacionamento às 9:20. O veículo não estava no box. Onde estava era numa plataforma de reboque já do outro lado da cidade. Era uma notificação padrão de encerramento de contrato de arrendamento por iniciativa do titular legal do bem, a classe a mobilidade com fulcro na cláusula 6,2 do instrumento original.
O titular do contrato havia solicitado a retomada do veículo. Ele tentou ligar para o investidor Eduardo do grupo Alicerce. Tentou o cartão corporativo no café do lobby do seu prédio comercial. Meu honorário do mês.
Eu tenho o financiamento do apartamento novo vencendo na quinta. Como o status do usuário junto à empresa locatária havia sido alterado por decisão do acionista controlador, o benefício de arrendamento especial estava rescindido de pleno direito. Qualquer item pessoal não retirado dentro do prazo seria considerado abandonado. Ela leu por cima do ombro dele.
Atendi, com a voz do homem que estava sentado tranquilamente no alpendre, exatamente onde estava quando tudo havia começado. Deixei o peso da pergunta ficar no ar por um momento. Bais, chegou às 8:30, saiu do aplicativo de transporte e olhou para a fachada do meu sobrado com uma expressão que nunca havia tido olhando para aquela casa. Ao constitutivo do grupo Alicerce.
O nome do acionista único. Terceira pasta, a escritura do empreendimento, onde ficava o flat. Você pagava do que o condomínio de uma kitnete na Penha? O homem que você usou como exemplo do que eu nunca fui.
O modelo de sucesso que minha ex-esposa escolheu no lugar de mim. Toquei na linha do valor com a ponta do dedo. E o ganhador que a sua mãe escolheu está no meu contra-cheque. Men era a desorientação de quem remove o mapa que estava usando para se localizar no mundo e descobre que o chão embaixo dos pés não é onde ele pensava que estava.
Agora você vai começar do começo, do começo de verdade. Caminhei até a porta do escritório e parei com a mão na moldura. Saí do escritório, não olhei para trás. Cuidei do jardim.
Numa tarde de quinta-feira estava no alpendre quando o telefone tocou. Por causa do Renato. Fiquei um tempo em silêncio, ouvindo os grilos do jardim. Ouvi ela respirar fundo do outro lado.
O canto do pássaro desconhecido continuava regular e indiferente. A serenidade de quem cumpriu o que tinha a ser feito com a técnica certa, no tempo certo e com os fundamentos no lugar. Três semanas depois, numa manhã de sábado, ouvi a campainha do portão. Ele entrou, olhou ao redor do jardim com aquele pê no centro e virou o rosto para mim.
Isso para mim vale mais do que qualquer estrutura que eu já levantei. Esta história foi criada e ficcionalizada por inteligência artificial, com o objetivo de entreter você e, ao mesmo tempo, compartilhar uma lição de vida que talvez faça bem carregar no coração.


