Vinha a caminhar devagar pela avenida, perdida nos meus pensamentos, com o meu cão na trela curta. Uma mulher vem na direção oposta com um cão pequeno, sem focinheira, e quando passamos por ela,…

Vinha a caminhar devagar pela avenida, perdida nos meus pensamentos, com o meu cão na trela curta. Uma mulher vem na direção oposta com um cão pequeno, sem focinheira, e quando passamos por ela,...

Estou aqui parada, a pensar se hei de dizer alguma coisa ou não. Mas não, espera aí: não vás passear com o teu cão se ele reage mal aos outros cães. Ou então trata da educação dele, leva-o a um treinador, isso tudo se corrige. Mas não, preferes andar por aí aos berros.

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“Fizeram mal em vir por aqui. ” Fiquei tão irritada com aquilo. Ou então segura bem o teu cão. Ok, ela até o tinha na trela curta, isso é verdade.

E o cão dela nem sequer olhou para nós. Mas talvez ela simplesmente se tenha assustado, a pensar que não o conseguiria segurar. Então, para que é que tens um cão assim? Se não és capaz de o controlar, então vai morar para um campo qualquer, sei lá, para passeares o teu cão que pode atacar outro.

E agora o quê? É proibido todos os donos de cães passarem por ali? E não é como se fosse um cantinho escondido onde ela vai passear em segredo. Não, é uma avenida movimentada.

O mais engraçado é que o cão dela é um pequenino, um coisinha qualquer. E ela ainda me diz que viemos para o sítio errado. Só me apetecia discutir com ela, confesso, estava com esse humor. Mas depois pensei: para quê?

Só ia estragar ainda mais o meu dia. E o meu dia já não estava grande coisa. Estava naqueles dias de tristeza outonal, sabem? A chover, perdida nos meus pensamentos, e ainda levo com aquela mulher a dizer que não devíamos estar ali.

Como se ela fosse a rainha do passeio e mais ninguém pudesse andar por lá. O meu Lóki, por acaso, só liga a cães grandes. Passa um cão pequenino e ele ignora completamente. Mas se for um labrador, um pastor alemão ou um husky, ele faz questão de se aproximar.

E depois ainda me aparece esta gente com cães minúsculos, sem focinheira, que nem sequer olham para nós, e ainda sou eu que estou errada. A sério, acho que cães grandes deviam ter obrigatoriamente um ano de treino com um especialista, senão multa pesada ou até ficavam sem o cão. Eu não levo o meu a treinador nenhum, mas pronto, a minha é pequena. Se ela se lançar a alguém, eu agarro-a e ela volta voando para mim.

Mas uma cadela grande, se decide correr para alguém, uma mulher frágil como aquela não a vai conseguir segurar. Não estou a dizer que não se deva treinar todos os cães, claro que sim. Mas os grandes são uma responsabilidade muito maior. E depois ainda há aquela gente que não limpa a sujidade do cão.

Isso também me tira do sério. A mim acontece-me o meu fazer três vezes por passeio, mas eu apanho sempre. Há quem faça de propósito, por princípio idiota. E não são só os donos de cães pequenos, não.

Há donos de cães grandes que deixam aquele monte enorme no chão e vão-se embora. Mas o cão não tem culpa nenhuma. A culpa é sempre do dono. Fui mordida por cães vadios quando era mais nova, umas vezes a sério, outras só arranhões.

Mas eu sei que a culpa é sempre de quem os abandonou ou os tratou mal e os tornou agressivos. O dono tem de ser responsável. E ainda vos conto outra. Ali perto de onde eu moro há um casal, que até são da minha idade, que fazem de propósito para o cão deles atacar as pessoas e os outros cães.

Já foram denunciados, já se escreveram queixas. E nunca lhes aconteceu nada. A polícia não quer saber, se não houver sangue no chão, eles não se dão ao trabalho. No outro dia estava eu a passear o Lóki e vejo uma daquelas pessoas a gritar comigo: “Ela é meiga, ela não morde!

” Era uma cadela pequena, sem trela, que veio a correr na nossa direção. Eu não sabia o que aquela cadela ia fazer, por isso peguei no Lóki ao colo. E a dona, com aquele tom de superioridade, a repetir: “Ela é meiga, ela é meiga. ” Como se eu estivesse a impedir os cães de se conhecerem.

Eu não sei o que se passa na cabeça da tua cadela. Tu podes dizer o que quiseres, mas continua a ser um animal. Até o meu Lóki, que é um amor de cão, pode rosnar se alguém lhe tocar demasiado. E depois quem é que é culpado?

E o mesmo se passou há uns dias, quando estava à espera do meu marido. O Lóki estava na trela curta, e ouço um barulho. Era outro cão pequeno novamente, sem trela, que veio a correr e saltou para cima dele. Eu fiquei logo alerta.

É sempre a mesma coisa com estes donos de cães pequenos: acham que os seus cães são inofensivos e não podem fazer mal a ninguém. Mas não é verdade. Até os pequenos podem morder. Eu já vi um poodle sem trela a morder o meu Lóki, e o dono só dizia: “Ele é tão querido, nunca fez isto antes!

E depois há a questão do namorado da minha amiga, que foi atacado por um cão grande. Ele ficou com medo de cães depois disso. Mas é sempre o dono, nunca o cão. O cão só está a ser o que é.

Se o dono não o treina bem, o cão vai agir como lhe apetece. Mas a conversa de hoje também me fez lembrar uma coisa engraçada com o Lóki. No verão passado, fomos à terra dos meus pais. O meu irmão chegou na quinta-feira e comeu lá uma grelha com carne, e deixou os restos no campo.

Quando chegámos, o Lóki foi lá e comeu tudo. E foi a melhor digestão que ele teve na vida. Até as fezes dele eram perfeitas. Fiquei a pensar se não o devia pôr numa dieta mais natural.

Falando em coisas caseiras, hoje lavei a cabeça com água fria porque nos cortaram a água quente. Não me apetecia montar o tanque e perder tempo, por isso usei água fria. O Lóki ficou com o pelo todo fofo. Estou a pensar em comprar um aparelho para alisar o cabelo, porque o meu fica muito crespo.

Ontem usei cera e fiquei com um aspeto oleoso, tive de lavar tudo outra vez. Ainda bem que esta conversa é só entre nós. O meu Lóki tem uma saúde de ferro, graças a Deus. Ele come a ração dele, adora maçãs e pepinos.

E comporta-se muito bem na rua, normalmente. Claro que há sempre exceções, mas dou por mim a defendê-lo e a explicar que ele é um bom cão. Mas quando me vêm com uma cadela sem trela por perto, fico logo de pé atrás. Não sei o que vai na cabeça do dono nem do cão.

E depois ainda há quem me diga que devia ir ao ginásio quando me cortam a água quente. Eu tenho equipamento em casa, gosto de treinar no meu canto. Não preciso de ir para um sítio público. Já agora, hoje estou com dores de menstruação, não quero fazer grandes esforços.

O que eu quero mesmo é ficar em casa, no quentinho, a comer uns bolinhos. Pronto, é isso. A vida de dona de cão tem destas coisas.